Cada dia fica mais claro a necessidade de alternativas de fontes de energia sustentáveis e limpas, como é o caso da energia eólica e solar. Nesse contexto, uma nova fonte sustentável pode ampliar a capacidade de produção de energia e mostra um grande potencial: é o caso da tecnologia maremotriz, que utiliza o movimento das ondas do mar para gerar energia.

Essa tecnologia já é usada em alguns países, como Reino Unido e Canadá, porém ainda enfrenta muitos obstáculos, como alto-custo de instalação dos equipamentos e o grande impacto ambiental. Essa produção de energia se baseia no movimento da maré para movimentar, turbinar e, assim, gerar eletricidade – de forma similar à energia eólica, mas com mais força e eficácia proveniente da própria força e densidade da água.

O fato de o Brasil possuir um vasto território e grande acesso ao oceano faz com que a utilização desse meio de produção se apresente como uma possibilidade viável ao país. Um projeto que utiliza a tecnologia maremotriz foi instalado no quebra-mar do Porto de Pecém, no Ceará. A construção da usina começou em 2012, e foi projetada para começar a operar em 2020, sendo a primeira iniciativa na América Latina.

Apesar de a usina já ser testada em alguns países, o diferencial da tecnologia brasileira está no uso de um sistema de alta pressão para movimentar a turbina e o gerador, um conceito desenvolvido e patenteado pela Coppe (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da UFRJ). O conjunto completo é composto por um flutuador e um braço mecânico que, ao serem movimentados pelas ondas, acionam uma bomba que pressuriza água e a armazena em um acumulador conectado a uma câmara hiperbárica. A água altamente pressurizada, então, forma um jato que é responsável pela movimentação da turbina, que, por sua vez, aciona o gerador de energia elétrica.

Para aderir à tecnologia maremotriz no Brasil será preciso um grande estudo para escolha dos melhores pontos de instalação de turbinas e usinas, já que é preciso respeitar rotas de navegação e avaliar eventuais impactos sobre a vida marinha. Com estudos completos e investimentos certos, a tecnologia maremotriz tem capacidade de se tornar a maior fonte de energia renovável do país.